26.7.09

:: Máscaras ::

Estou participando de uma proposta lançada pelo blog: Importâncias relativas e atravessadas sugestões. A ideia é juntar os bloggueiros e escrever sobre um tema comum (Máscaras), com formatos diferentes. A criatividade, participação e integração entrem escritores modernos foi o que me chamou atenção. Quem me indicou para participar dessa brincadeira foi a Qualquer Menina, bloggueira já conhecida na casa.

Quantas vezes já escutamos a expressão “com o tempo, as máscaras caem”? Ficamos impressionados com algumas pessoas, que com a ajuda do tempo, descobrimos a verdadeira face da moeda. Porém, acredito que destacamos a parte errada da frase para tomarmos bases de alguma conclusão. Ficamos nas máscaras e esquecemos de pensar no tempo, o ator principal. O tempo é o grande merecedor de tudo, ele é o revelador, o onipotente da história.
Enquanto as máscaras estão penduradas em algum rosto e no chão, justificamos os nossos desgostos na pobre máscara do outro, ou em termos psicanalíticos, Outro (com letra maiúscula para representar o social e sua cultura vigente). O outro ou o Outro são os grandes responsáveis por vestirmos as máscaras e para ser bem sincero, quem bom! Idealizamos um mundo melhor, onde a verdade é a lei que une os povos, entretanto, isso é historinha para boi dormir. Psicologicamente não conseguiríamos sobreviver por muito tempo se todas as verdades fossem ditas.
Exigimos que os Outros nos falem a verdade, mas não contamos as nossas nem a baixo de tortura. Imagina se todos os nossos, mais queridos, segredos fossem revelados, sem o poder da nossa censura? Ou para piorar a situação, imagina se os segredos inconscientes (aqueles que em tese não “sabemos”) aparecessem na nossa frente como um espelho. Suicídio em massa seria um resultado previsível.
As máscaras têm por objetivo anestesiar o intolerável e muitas vezes atrair os olhos alheios da sedução.
Pensar que as máscaras são para esconder os falsários é simplório demais, diante a gama de opções que temos. A máscara por si só não nos diz nada, o que nos diz são os representantes que ela carrega. Os bandidos usam para não ser identificados e os heróis também, mas neste caso é para esconder a identidade secreta. Quanta diferença!
O teatro se representa por elas, a máscara da tragédia e da comédia. Nós nos representamos por elas, os tragicômicos da vida. A Suzana Alves e a Joana Prado se imortalizaram pelas suas máscaras (o corpo foi um mero detalhe). Uma fantasia de Zorro não está completa sem a máscara. O carnaval é cheio delas e pulamos saltitantes com tudo isso.
A máscara tem o poder de esconder a face crua, transformando os populares em anônimos e vice e versa.
As maquiagens são máscaras, assim como nossas roupas, nossos conhecimentos, nossas atitudes. Tudo é máscara, tudo é representação, o que não nos torna falsos. Ou nos torna e ninguém está sabendo desta verdade.
Dizer que fulano é mascarado é afirmar que nele há faces não reconheciveis, mas isso é problema de quem? Do fulano que usa e abusa das suas máscaras ou nós que insistimos usar a mesma máscara de vítimas todos os dias?
Com o tempo as máscaras caem, mas também, descobrimos que debaixo da máscara, há um mascarado que precisa desta proteção.
Tem dias que usamos uma máscara para esconder o cansaço, outros para esconder o sorriso, oras para esconder as lágrimas, oras para parecer mais altivos. Dias somos blasé, dias somos palhaços, noites somos tiazinhas e zorros.
Máscaras servem para disfarçar as aparecias e numa era onde ninguém está contente com ela, algumas máscara no armário vem a calhar.


sugestão para futuros temas: Madrugada.

22.7.09

:: Cavalo de Tróia às Avessas ::

No dia 20 de julho, dia do amigo, acordei com uma mensagem no celular. Era de um amigo meu, imaginei que seria para felicitar pelo dia, mas infelizmente eu estava errado. A notícia que estava dentro da mensagem não foi nenhum pouco festiva, pelo contrário. Eu tinha acabado de saber que uma colega (da época do colégio) havia falecido.
Meio com sono, meio assustado, não sabia ao certo o que eu deveria fazer. Como eu moro em Blumenau e todo acontecimento ocorreu em Santa Maria no Rio Grande do Sul, recorri à internet, mais precisamente o MSN, para obter mais notícias.
Boa parte dos meus amigos estavam on-line e todos completamente atordoados com o acontecimento fatídico.
Minha amizade com ela estava distante, mas em algum momento da minha vida, estávamos muito próximos, pois ela era namorada de um grande amigo meu. Mesmo sem muitos contatos, tinha um carinho especial por ela. Fiquei completamente chocado com o fato, mais chocado do que triste. Um turbilhão de informações e devaneios tomou conta da minha cabeça.
Mesmo sabendo, teoricamente, que o ciclo da vida (nascer, crescer, reproduzir e morrer) é uma criação cultural simplória, nos agarramos fortemente na ideia que antes da morte precisa-se percorrer um longo caminho.
Jovem, bonita, articulada, recebem formada em odontologia e com recentes 24 anos e quatro dias, Isadora foi embora sem se despedir, deixando uma galera de jovens a mercê da vida.
Porém, para além da morte “prematura” e das elaborações que estou fazendo sobre ela, quis trazer aqui outra reflexião.
Quando estávamos todos (meus melhores amigos de Santa Maria) no MSN – os que não estavam no MSN estavam em contato por telefone – foi unânime a constatação. Se não fosse a fatídica tragédia, não estaríamos fazendo o giro de estar, boa parte dos amigos, presentes, conversando, unidos em pleno dia do amigo. Realmente algo de se pensar, sobre o movimento que a tecnologia nos possibilita, mesmo estando distante do acontecimento e das pessoas queridas, estávamos ligados num velório virtual. Seja para conseguir compreender aquilo que nos deixou fora de sintonia, seja para entender os fatos, para conseguir elocubrar sobre a morte, para se sentir um pouco acolhido.
Por isso, cavalo de tróia às avessas, pois ao contrário da história, ganhamos um presente que vinha dentro de uma tragédia.

20.7.09

:: Feliz dia do Amigo ::


Hoje é dia de comemorar e sinceramente não sei por que não damos o devido valor para essa data. Ao longo do ano comemoramos várias datas que julgamos ser especiais: Ano Novo, Carnaval, Dia Internacional da Mulher, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, São João (e até agora paramos por aqui) e hoje chegamos ao dia do Amigo e cadê as pompas e festejos?
São datas comerciais que o sistema capitalista nos introduziu com o objetivo de aumentar os lucros? Bom, pode ser, mas já temos tantas datas, uma a mais, uma a menos, não fará tanta diferença. Não acham?
Hoje é o dia de comemoram com as pessoas que você realmente gosta de estar a maior parte do tempo, com pessoas que faça chuva ou faça sol está do seu lado ajudando a planejar mais um salto ao infinito.
Amigos são raros de se encontrar!
Muitas pessoas acreditam que ser amigo é estar junto nas horas boas e ruins, mas acredito que esse clichê que define a amizade está ultrapassada. Isso só define a instituição amizade, mas não define o companheirismo que a pessoa seu/sua amigo/amiga carrega. Amizade é muito mais do que isso. Amigo que é amigo é aquele que não te abandonou no meio, entre o sucesso e o fracasso. Amigo é aquele que nos ajudou a conquistar boa parte das nossas histórias de vida.
Amigos são aqueles que deixaram marcas incorrigíveis nas nossas ações, que nos deixaram lembranças nas músicas, que nos aguentaram na foça, que nos embalaram na balada, que nos pagaram o cigarro, a cerveja, o lanche no meio da madrugada, quando não tínhamos um tostão furado, que ficaram horas ouvindo lamentações, angustias, indecisões, que apoiaram as ideias de fuga e negaram as ideias de confronto, que aceitaram, sem questionar, as desculpas mais descabíveis, que corrigiram os erros, que elogiaram na hora que deveríamos ter levados bons puxões de orelha, que nos puxaram a orelha quando deveríamos ser elogiados, que festejaram junto em qualquer situação boba, que nos puxaram ao lado para dar orientações, que entenderam as nossas gírias, as nossas fraquezas, as nossas certezas, as nossas crenças, as nossas lágrimas de alegria e os risos de desespero.
Os amigos são aqueles que nos deixaram viver da forma que sabemos viver, sem pedir muito, apenas, reciprocidade, boas relações, afeição, camaradagem, simpatia, companheirismo, leveza e acima de tudo uma relação de confiança.
Alguns acreditam que já foram traídos por amigos e por causa disso, creem que amizade verdadeira não existe.
Discordo!
Se não confia na amizade, porque acreditar no amor?
Quando falamos de amizade, devemos diferenciar o que são Amigos, amigos, “amigos” e conhecidos. Por isso criei uma breve definição e (de cortesia) dicas sobre o que fazer com eles nesta data:
Amigos: É tudo aquilo que comentei encima, acompanhados de “ser a primeira pessoa que você liga depois de um acontecimento importante” (Ex: uma nova paquera, novo emprego, acontecimentos atípicos). Para eles, a dica é comprar um bom vinho, isso ajudará no andar do bate papo, se quiser, pode preparar um jantar caprichado em sabor e uma pequena dose de requinte.
amigos: São aqueles que não há um convívio freqüente, mas são ótimas companhias para eventos públicos (cinema, teatro, bares, restaurantes, baladas, festas). Acredito que as amizades coloridas moram por aqui, por isso um convite para um barzinho, uma pizza ou até mesmo um vinho com segundas intenções serão bem vindas. Se nada rolar, valeu pela atualização do feromônio.
“amigos”: São aquelas pessoas que convivemos todos os dias, ou não, mas sempre que estão presentes precisamos tomar cuidado com o que está sendo falado. São pessoas que conversamos para a notícia se espalhar o mais rápido possível, sem se tornar uma fofoca desnecessária, para aumentar o número de pessoas na festa ou para rachar alguma coisa cara. São aqueles que alguns chamam de falsos, sem nos dar conta que somos tão falsos quanto. Se a falsidade é a via de acesso, aproveite sem expectativas. Para eles um filme ou um bom bate papo no jantar de algum amigo em comum.
Conhecidos: São aqueles que são amigos do amigo e que você não necessariamente gosta de estar junto, mas são as condições estabelecidas por estar no mesmo ambiente. Para eles, educação, piadas e uma boa dose de cordialidade.
Nunca se sabe aonde as amizades vão nos levar e nem com quem será comentada.
O importante independente do grau de amizade estabelecida é usufruir as horas de subversão oferecidas.
Afinal de contas, se a família é o porto seguro, os amigos são a tripulação!

Feliz do Amigo,
amigo, “amigos”...
conhecidos.

19.7.09

:: That's a little bit Indie ::


Gostei do retorno do post anterior, por isso decidi dar cabo as minhas elaborações cotidianas. Quando escrevo e o retorno dos comentários escritos ou falados vem rápido demais, sei que de alguma forma, algo que escrevi, fez barulho dentro da cabeça dos meus leitores. Fico feliz, pois a proposta é justamente essa!
Não vou me prender nas justificativas sobre os Los Hermanos, acredito que os meus argumentos estão muito crus, precisaria de mais tempo para compor um texto de fácil digestão.
Camelo e Malu Magalhães é um problema. Primeiro por não gostar dela e para mim isso seria necessário para parar por aqui, mas quero ir, além disso. Se o relacionamento deles é bom ou ruim, se a família aprova ou desaprova, acredito que a minha moralidade não confia na bondade desse relacionamento. Começando pelo lance da idade. Sei que relacionamentos com idades diferentes não são problemas hoje em dia, no caso deles, são 14 anos de diferença, muito comum olhando pela ótica do amor, mas vamos olhar pela ótica moral. Marcelo Camelo com seus 30 anos, bagagem nas costas, vida percorrida, anos de experiência. Malu Magalhães, com seus 16 anos de idade, com uma vida percorrida, com anos de experiência e bagagem nas costas, tudo semelhantemente diferente . Cada um no seu caminho e se cruzam. Inquestionável que essa menina é precoce, mas até que ponto é questionável o movimento retrógrado do Marcelo Camelo?
Sinceramente esperava mais dele. Talvez a decepção de saber que ele, tão aclamado pelo público, namora uma menina que, francamente, não consegue completar uma frase ao vivo sem se bater nos devaneios dela. Deixa tudo mais apimentado para questionamentos.
Uma mulher de 20 anos com um cara de 34, aceito! Um homem de 30 anos com uma mulher de 44, aceito! Um casal com 14 anos de diferença, aceito, conforme o contexto de idade. Quando o chamo de pedófilo (força de expressão) é mais pelo giro jurídico do que qualquer outra coisa.
Me questiono sobre a aceitação do público para esse romance, mas enfim! Em alguns momentos a moralidade ou até o meu senso de humor ácido, me impede de continuar a escrever sobre isso. No meu tempo, os pais não permitiriam isso, não com 16 anos. A juventude está perdida e até onde estou entendendo os 30 não é mais o repouso das perguntas.
Já o movimento Indie, sou um Indie enrustido que não aderiu à moda, e não apreciar Los Hermanos me deixa bem antiquado.

16.7.09

:: That's so Indie ::

“Quem te ver passar assim por mim. Não saber o que é sofrer. Ter que ver você assim sempre tão linda. Contemplar o sol do teu olhar, perder você no ar...”.
Los Hermanos estouraram nas paradas de sucesso com o single Anna Júlia e quem os curte defende a ideia que essa música não é a melhor, não foi comercial e que devemos esquecer o passado dessa galera e considerá-los como bons cantores a partir do seu segundo CD (O bloco do eu sozinho). Los Hermanos é a banda brasileira de rock alternativo mais citadas pelos jovens. Uma espécie de Legião Urbana dos anos 00'.
Conheço algumas músicas, tenho a minha favorita (O vencedor), mas mesmo assim, tentando ler as letras, escutar as músicas e conhecer uma galera que os adora/curte/considera-os, não consigo gostar deles. Ainda mais por saber que o Marcelo Camelo (é ele?) é o namorado pedófilo da Malu Magalhães (que convenhamos, aquela menina não é/está certa).
Acredito que o movimento Indie rock é o grande responsável por tudo isso, na verdade, estou começando a achar que o movimento Indei rock está em tudo ultimamente. No vestuário, nas músicas, nos cinemas, na literatura, na arquitetura, na decoração e tudo aquilo que ainda não consegui perceber a influencia dessa nova geração.
Não precisamos de muito para conseguir identifica-los, basta perceber as listras de suas roupas, o seu carinho pela Juno, os óculos de sol vintage, perceber o dialeto vintage, vintage, vintage e vintage.
Apreciar a moda (no sentido amplo) vintage virou sinal de moderno-atual-atuante, de cultura, de ser-cult ou estar fora do pop, mesmo que essa ideologia esteja popularíssima, perdendo apenas para os sertanejos universitários.
Indies não são emos! E pelo amor de Deus, não os confunda, pois seria uma briga desnecessária. Idies são do rock e emos são do Hardcore, uma diferença aparentemente curta para os leigos de gêneros musicais e uma distância enorme para eles (Indies, Emos e simpatizantes).
Devido a sua influencia inglesa, os indies tem a mania insuportável de escrever tudo em inglês, ou pelo menos, nomear suas festas na língua estrangeira. Para descobrir se a sua futura festa será algo indie, preste atenção no convite, qualquer palavra destas encontradas: Disco. Party. Music. Rock.Dance, entre outros, seguido de todas as informações (exceto o endereço) em inglês, com um vinil sendo o símbolo da festa e um título grande (Disco party music rock dance). Prepare-se, selecione sua play list, coloque no seu Ipod e divirta-se, pois sua futura festa é Indie.
E por favor, vá bem vintage, pois não há nada mais ultrapassado do que usar roupas novas!

1.7.09

:: Mafalda ::

28.6.09

:: O Pop não poupa ninguém ::

Quando recebi a notícia da morte do cantor, Michael Jackson fiquei perplexo, assim como milhões de pessoas espalhadas pelo mundo afora.
Por alguns segundos voltei ao passado e lembrei dos dias em que recebi a notícia da morte do Airton Senna e do grupo dos Mamonas Assassinas. A sensação foi à mesma, pelo menos para mim. Tínhamos perdido mais um astro pop.
Mesmo sabendo que Michael Jackson, Airton Senna e Mamonas Assassina não faziam parte da mesma constelação de estrelas pop; fiquei pensando se a morte dele não foi algo bom. Não para nós, fãs, admiradores, apreciadores ou julgadores, mas para ele mesmo.
Michael Jackson não era mais o mesmo e todos nós sabíamos disso!
Escândalos atrás de escândalos; fomos percebendo que ele estava doente, entregue a uma vida insuportável de ser carregada. Dono do império Neverland, Peter Pan, digo, Michael Jackson acreditou que o mundo da fantasia seria o melhor lugar para se viver.
Longe de contestar a importância dele na música popular terrena, sempre questionei sobre a posição psíquica dele. Para além de se pensar na infância sofrida do pequeno Michael, onde seu pai o violentava, mas ampliando para a perversão do mundo da fama, Michael Jackson sintomatizou a sua vida por completa. Não precisa ser psicólogo psicanalista para perceber que quando uma pessoa assume a Neverland como filosofia de vida, risca a palavra raça, do seu dicionário simbólico, através de intervenções cirúrgicas, modifica seu nariz (rosto) a ponto de transformá-lo em tudo, menos em nariz, virando motivo de gozações e sem contar os casos de pedofilia (não vou nem questionar a participação ingênua dos pais das crianças) ele queria (muito) nos dizer alguma coisa...
Michael Jackson estourou nas paradas de sucesso, marcou gerações com suas músicas, destacou a particularidade de seus passos, gerou muita grana, mobilizou uma legião de fãs, virou ícone, virou referencia, virou sinônimo de bom gosto. Com roupas características: sapatos pretos, meias brancas e luvas, ele lotou estádios, inovou no mundo das apresentações, fez filmes, virou personagem de jogos de vídeo-game, Michael Jackson virou pop – e o pop não poupa ninguém. Ele só não conseguiu “virar” homossexual! Mesmo que todos, de forma velada e não tão velada, soubéssemos que a história entre Michael Jackson e Macolin Calkin (entre outras histórias) nunca foi bem contada (assim como no caso do Ronaldo o Fenômeno). O autorizamos a não saída de armário, da pessoa Michael Joseph e preferimos aceitar à não sexualidade do cantor.
Um fenômeno não pode ser sexual, apenas hétero!
Michael nunca se assumiu e sumiu nas tramas da sua vida de astro pop. Afundando no seu imaginário ou colocado lá em nome da fama, ou, pela indústria fonográfica, Michael Jackson conseguiu idealizar um retorno aos palcos, tentar reafirmar um posto que já era seu, porém antes de voltar aos palcos e cantar os clássicos: Billie Jean, Thriller, Beat it, Black Or White entre outros... Michael Jackson partiu e definifivamente remarcou o seu nome no mundo que está visivelmente em luto.
Cada um da sua forma e todos retronando para aquilo que o consagrou no mundo pop, ser o único que dançaria na pista de dança.

24.6.09

:: Mulheres (mais do que ) modernas ::

Mais do que modernas foi o nome que escolhi para designá-las, mesmo sabendo que tradicional é outro nome que cabe a elas. Estou falando das duas mulheres maravilhas da modernidade: Carla e Michele! Para quem não sabe, Carla Cumiotto e Michele Kamers conquistaram na Justiça o direito de registrar seus filhos gêmeos com o sobrenome das duas. Joaquim Amandio e Maria Clara Cumiotto Kamers, são os nomes conquistados pelas duas psicanalistas que levaram a sério a história de bancar o desejo. Ousadas, Carla e Michele conseguiram seu espaço ao sol, sem empurrar ninguém. Usando a análise ao seu favor, ambas conseguiram após horas de divã, nomear e criar o espaço social que elas desejavam e mereciam percorrer.
No final do mês de maio, a revista Época publicou a história das duas, desde suas adolescias, affair, romance, idas e vindas, casamento, decisão de ter filhos e resultado final.
Talvez essa história nunca entrasse aqui no blog, se essas duas mulheres não fossem as minhas professoras psicanalistas, ou melhor, se a Carla não fosse a responsável pelo convite na inserção do apaixonante mundo psicanalítico e por me convencer, através das suas aulas, que análise era a melhor opção naquele/neste momento e se a Michele não fosse a minha orientadora de TCC e paraninfa. Ou se as duas não fossem as minhas amigas e colegas de profissão.
Fico orgulhoso em saber que duas, dos vários referenciais profissionais, levaram a sério tudo aquilo que nos passaram em sala de aula. Fico honrado em saber que conheci e convivi com duas pessoas que marcaram os seus nomes (e sobrenomes) a história da sociedade dita moderna. Fico feliz em saber que ambas mostraram para mim (e para uma galera) que a conjugalidade entre pessoas do mesmo sexo dá certo, tanto quanto à união entre pessoas do sexo oposto.
Amor é o que não falta nestas duas figuras! Amor pela profissão, amor pela psicanálise, pela academia, uma pela outra, por festas, por carreatas, por Iolanda, pro caipirinha, por cerveja, por chocolate, por bons bate papos, por Frida Kahlo, por risadas, pela vanguarda, pela tradição, pelo carinho e respeito ao próximo, pela Maria Clara, pelo Joaquim Amandio, por porta-retrato, fotografias, histórias, pela Cachaçaria Água Doce, por café, pela Renault, por Blumenau, pelos seus alunos, pelo sotaque gaúcho e principalmente amor naquilo que acreditam.
Não buscando a aceitação, mas o respeito, Carla e Michele conquistaram os dois e muito mais. Pois através dos seus ideais, derrubaram o preconceito e a discriminação que insiste em bater na nossa porta em pleno ano de 2009.
Carla e Michele são Homens com o legítimo H maiúsculo, aquele que nos define como humanos e são Mulheres, daquelas que tem peito!

21.6.09

:: Ziggy (Marley) & Eu ::

Quando ganhei de um cachorro vira-lata com fuchas de pitt bull de um grande amigo meu, fiquei surpreso de como eu não estava preparado para ter um cão se entrelaçando nas minhas pernas por onde eu fosse.
A ideia de me livrar dele passou várias vezes pela minha cabeça, quase chegando ao ato! Mas como em todo início de relacionamento, só percebemos o quanto gostamos, quando aparece alguém de olho.
"Já estou bem apegado a ele." Foi a resposta que dei para um dos quatro interessados.
Lembro que nessa época a minha cunhada comentou que estava lendo um livro chamando Marley & Eu, que contava as aventuras e peripécias de um cachorro intitulado como o pior cão do mundo. Dona de uma dachshund, minha cunhada dizia que dava boas risadas lendo sobre esse labrador que conquistou o mundo. Fiquei interessado em ler, mas passou quando soube que seria lançado em filme. Mesmo sabendo que um filme não substitui um livro e dono (ou colaborador) da teoria que um filme, também, não substitui um livro, esperei chegar às locadoras.
Apaixonado por filmes e cheio de livros para ler, penso que nem todos os livros que são adaptados para filmes precisam necessariamente ser lidos antes de ser vistos.
Livros que viram filme são best sellers ficarão arquivados para toda a vida. O importante é que a ideia principal chegue até os interessados, independente se for pela via literária ou pela cinematográfica. Digo isso, pois varias vezes já escutei alguém comentando que o livro é bem melhor que o filme. Concordo, em partes, pois levo em consideração que são estruturas diferentes. Filmes são adaptações e não cópias. Partes serão cortadas, partes acrescentadas, tudo vai depender do estilo dos criadores e de como eles desejam apresentar a mais nova produção. Claro que quanto mais perto da realidade melhor, mas acho interessante pensar que o filme é uma versão daquilo que foi lido e não uma obra literal.
Quando assisti ao filme, interpretado pelos atores, Owen Wilson (diga-se de passagem, não tem nada haver com o John Grogan) e Jennifer Aniston (que certamente mexeu em alguma coisa naquele [belo] rosto, só não sei em que, mas não gostei) identifiquei que eu também tinha um Marley, mas com outro nome: Ziggy.
O nome não tem nenhuma menção ao Ziggy Marley, filho do Bob Marley, ao contrário do cachorro do filme, mas sim ao Freud, pois seu primeiro nome foi Sig (Sigmund), contudo, devido a minha dificuldade de falar a palavra Sig várias vezes cominou na transformação de Sig para Zig e assim ficou. Na hora da escrita, homenageei o Ziggy Marley, sem motivo especial, pois eu gosto mesmo é do pai.
Ziggy entrou na minha e com isso fui obrigado a usar boa parte da coleção, verão 2008/2009, das havaianas, levar meu travesseiro para a costureira (assim como no filme, também já acordei rodeado de espumas), dar valor aos sacos plásticos, transformar a minha sala de serviço em casinha, a minha sala em casinha e o meu quarto em casinha. Aprendi que nem todos os cachorros absorvem o dramin, comer com alguém te olhando, abanando o rabo e pedindo comida não é muito agradável. Revi o conceito de paciência, o conceito de individualidade, o conceito de amor, de apego, descobri que as pessoas tem medo de pit bull, mesmo ele sendo um vira-lata e principalmente que não se deve assistir Marley & Eu com o seu cachorro ao lado. Para quem não assistiu o filme, pare de ler aqui, para quem assistiu ou não se importa em saber o final do filme, continue...
Marley morre! E parabenizo os produtores por nos preparar para tamanha surpresa, pois boa partem, do final, do filme, nós telespectadores somos lentamente e constantemente avisados que Marley partiria dessa para a melhor. Mas para quem estava assistindo o filme com o seu cachorro ao lado, pouco adiantou. Abraçado ao Ziggy, chorava a morte do Ziggy (ops!) do Marley, e ele mesmo sem entender e fazendo questão de voltar a dormir, me ignorou. Esperteza dele, pois eu estava em prantos num filme de comédia. Se isso é possível!
Tomado pela noção de finitude fiquei chocado em saber que assim como eu não estava preparado para a sua chegada, estou pessimamente preparado para a sua partida (que demore para chegar)


16.6.09

:: 3ª no plural ::

Atire a primeira pedra quem nunca pensou em encarnar o Willian Foster personagem de Michael Douglas no filme Um Dia de Fúria?
Sair pela cidade colocando ordem através do vandalismo, pode parecer uma ideia um tanto quanto ridícula, quando se está de bem com a vida ou indiferente a ela. Porém quando se está num estado de latência abrupta a ideia até que se torna tolerável. São nessas horas que agradeço muito ao meu supereu (ex- superego) por me proibir de fazer tudo aquilo que imagino. Começando pelo o cão manco da tia avó (aquele da outra história)
Tudo começou quando fui convencido a trocar de operadora. Dá TIM (Viver sem fronteiras) para a Oi (Simples assim).
Sou do tipo de cliente que não adere às promoções e não acredita que existam vantagens nas promoções das operadoras, pelo simples fato de acreditar que para beneficiar os mesmos basta reduzir os valores das tarifas, mas não! Eles querem nos tirar do sério. Esse é o objetivo das empresas de telefonia móvel e fixa. Só phode!
Humberto Gessinger, sempre vanguardista (pelo menos para mim) já cantava “Eles querem te vender, eles querem te comprar. Querem te matar (de rir), querem te fazer chorar. Quem são eles? Quem eles pensam que são?”.
Já que estamos com as pedras nas mãos, faço outra pergunta. Atire a primeira pedra aquele que nunca quis destruir a loja da sua operadora de celular?
Depois de visitar a loja da minha, descobri que existe um Willian dentro de nós, pronto pra sair, com um taco de beisebol na mão e tudo, distribuindo “ordem”. A lei!
Eu só queria desbloquear o meu celular. Custa fazer o serviço? Custa! Claro que custa! O que não custa?
Conversando com um amigo meu sobre esses episódios, ele afirma algo que já havia percebido, mas não estava totalmente intrínseco nas minhas ações: “O grande problema é que as pessoas que nos prestam serviços acreditam que estão nos fazendo um favor”. Essa é a mais pura e dolorosa verdade.
Mesmo com pouca paciência, consegui solucionar todos os problemas de forma civilizada. Sem gritar com ninguém, nem agredir e tendo respeito a aqueles que me atendiam. Claro que a técnica do “Não é com você, mas quero reclamar” sempre funciona, pois colocando o vendedor na posição pessoal, começamos a ser tratados como pessoas e não como clientes.
O cliente tem sempre razão? Belo slogan. Assim como Viver sem fronteira.

10.6.09

:: Metade da laranja ::


Não dá mais para afirmar que todos nós estamos procuramos à metade da nossa laranja. Até porque já existem muitas pessoas convencidas que a metade da laranja é um problemão. O interessante mesmo é achar uma pessoa inteira, completa! Porém a ideia que juntosomosum persiste nos dias de hoje.
Já vivenciei diversas cenas onde estava acompanhado de alguma amiga e fomos tratados como casal. Não me incomodo de ser tratado como um, afinal de contas, em tese, éramos um casal. Mesmo que a definição de casal no dicionário seja, em partes, retrógrada (par; composição de macho e fêmea ou marido e esposa). Longe de querer debater sobre o macho e a fêmea, éramos um par, composto de um homem e uma mulher com estados civis solteiros.
Fomos a rede Subway, um ótimo lugar para treinar decisões em curto prazo, diga-se de passagem, talvez seja isso que nos faz gostar tanto de lá. Ambos indecisos deveríamos escolher a composição do sanduíche: pão, recheio, saladas e molhos. Quem conhece o serviço sabe o roteiro que precisamos passar: Qual é o Pão? Qual o recheio? Alface e tomate? Pepino, picles, azeitona? Sim! Não! Sim!
Decidimos que além do sanduíche levaríamos cookies de sobremesa.
_O pagamento é junto? Perguntou o atendente
_Não, é separado!
_Bebidas é junto?
_Não, não. Separado! Persistindo em nos juntar, os atendentes colocaram os sanduíches e as bebidas na mesma bandeja.
Pode parecer bobagem, mas no mundo self-service que vivemos, acreditava e esperava que cada um ganhasse a sua.
_Os cookies posso colocar no mesmo saquinho?
_Não! Separados! Foi ai percebi a insistência de nos tratar como um casal.
Que mania de ser Noé é essa de querer juntar todo mundo em parzinhos? Mesmo que fossemos um casal de namorados, precisaríamos fazer tudo junto? Comer na mesma bandeja, beber no mesmo copo, pegar os cookies no mesmo saquinho? Cadê a individualidade? A singularidade? A independência conquistada? Fico me perguntando sobre o que os casais de hoje em dia estão fazendo por ai, para que isso se reflita em tamanha simbiose? Tudo é junto, nada é separado? Isso é considerado prova de amor? Ou será que eu sou o implicante e antiquado da história?
Não discordo do quanto é bom estar perto de uma pessoa que gostamos. De quanto prazeroso pode ser os encontros, as conversas, os beijos, os toques, mas acredito que existam espaços e principalmente momentos para que isso aconteça. O espaço público exige comportamentos diferentes dos espaços privados, essa é a regra base para uma sociedade civilizada. Querem se abraçar, beijar, namorar em público, ótimo, mas não fiquem tão a vontade!
O amor realmente é lindo! Mas a vontade de quebrar as leis da física é incrível.
A simbiose está na moda dos relacionamentos, mas são as metades da laranja que impressionam os ambientes das pessoas inteiras.

6.6.09

:: Me aqueça nesse inverno ::

Roberto e Erasmo Carlos já cantavam "Quero que você me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá pro inferno”. Mesmo sabendo que não podemos levar a música ao pé da letra, pois mandar tudo para o inferno seria, definitivamente, chutar o cão manco da sua tia avó, gostamos da ideia de viver um romance que nos aqueça nesse inverno.
Nesses tempos onde os pés ficam gelados, procuramos achar ou resgatar os amores que esquentarão os nossos corações, acalmarão nossos corpos e arrepiarão nossa pele. O inverno está presente e com ele vem a sensação de love is in the air.
Pessoas bonitas, bem vestidas, vinhos, queijos, cafés, croissant, chá, chocolate quente, fondue... enfim! Há uma enfinidade de prazeres que o inverno nos proporciona, talvez seja para compensar o desprazer que vem junto: acordar cedo, tomar banho e procurar roupas quentes, completamente nú, na frente do armário.
O inverno tras o requinte no mais algo grau de finesse que podemos oferecer. Finos, nos sentimos na obrigação de cortejar e ser cortejado, independente do grau de compromisso estabelecido. Gostamos de nos apresentar, para as pessoas ao redor, o nosso refinamento. Coisas que no verão é completamente impossível de apresentar ao som de Ivete Sangalo e Claudia Leite. Lá a sedução corre por outra via, são corpos, formas e cores. Aqui é cultura, bom papo e entendimento da enologia. No inverno os corpos se igualam, as gordur(inhas) ganham o apoio do excesso de roupa, e cor é uma questão de quebrar o preto.
Nos cobrimos e descobrimos o quanto sensual podemos ser com a temperatura baixa. Porém a sedução perde o encanto depois da meia noite, quando bate o desespero dos lençois frios. Enquando os casais brindam a morte e fazem amor. Os solteiro brindam o amor e desejam a morte.
Os dias dos namorados está perto e o desespero dos solteirões e solteironas de plantão já chegou.
A temporada de caça está aberta. Salvem-se quem puder ou agarrem o primeiro, o segundo, o terceiro que vier em sua direção.
O verão ainda está longe, mas um dia ele chegará!
E para os solteiros e solteiras que acreditam que o dia dos namorados é uma perversão social, presentei-se! Talvez com meias (os pés ficarão quentinhos), loque uns filmes (terá um bom motivo para ficar embaixo dos edredons), chame uns amigos (terá calor humano). Vá para a balada (pode rolar um beijo na boca) ou durma (uma boa noite de sono também deixa a pele mais jovem e bonita).
O que não vale é ficar deprimindo querendo chutar o cão manco do início da história.

26.5.09

:: Associe Livremente... ::


24.5.09

:: Coisas de homens ::

Alguns amigos e eu estávamos conversando, a televisão estava ligada, pois naquela madrugada aconteceria um treino de futebol da seleção brasileira e uma corrida de Fórmula 1, ou vice versa, um treino de Fórmula 1 e um jogo de futebol, não lembro ao certo.
Eu gosto de futebol, uma das meninas comentou. Eu também, a segunda afirmou, mas não gosto de Fórmula 1. Sem intervalo o meu amigo respondeu: “Claro, isso é coisa de homem!”.
Coisa de homem?!
Numa época onde o apagamento da diferença sexual está gritante, afirmar que uma coisa é de homem e outra é de mulher, torna-se um tanto quanto desconexo. A unissexualidade ultrapassou os adesivos das portas dos cabeleireiros e tomou conta da nossa sociedade em geral.
Homens vão ao supermercado, olham as datas de validade, regulam o orçamento, escolhem as carnes, as frutas, verduras, o arroz, feijão, o desodorante que mais agrada, shampoo para o seu tipo de cabelo, o sabonete, o iogurte, os ovos e qual será o tipo de queijo que levará: mussarela, prato ou cheddar?
A mulher que está no mesmo supermercado, preocupa-se com a qualidade do vinho Cabernet Sauvignon que levará para acompanhar com a carne vermelha que o seu marido carinhosamente preparará no jantar. Com as compras no porta mala, ela segue percorrendo pela cidade com o seu carro abastecido, a água e óleo em perfeitas condições e com os pneus devidamente calibrados.
As transformações sociais alteraram a maneira de se pensar o masculino e o feminino. Observa-se dia após dias a descaracterização do tradicional protótipo do que são “coisas de homem” e do que são “coisas de mulher”. Os papéis que estes ocupavam na sociedade foram dissolvidos por uma lógica de igualdade entre os sexos. Diga-se passagem, só funciona na teoria. As mulheres, ou boa parte delas, continuam ocupando o cargo de segundo sexo, mas não se preocupem, antropólogos afirmam a existência do terceiro sexo – as/os transexuais, que não vem ao caso aqui.
Quando falamos sobre a posição masculina e feminina imediatamente utilizamos o aparelho reprodutor como fonte comparativa e reduzimos o homem em pênis e a mulher em vagina, entretanto devemos nos desprender da ideia que o termo masculino se refere a tudo que é relativo a homem ou macho e o feminino relativo à mulher ou fêmea.
Se algum dia os homens realmente foram de Marte e as mulheres de Vênus, hoje em dia, metaforicamente dizendo, ambos estão na Terra digladiando um com o outro, em busca de resposta sobre essas perguntas do tipo: isso é “coisa de homem? Ou de mulher?”.
É (está) de ambos!
Não há (mais) como associar que fórmula 1 é coisa de homem e que novela é coisa de mulher. Mesmo que o tão "idolatrado" psiquiatra Içami Tiba diga o contrário: “Em casa, quem assiste a corrida de Fórmula 1 é o cobra, porque polvo gosta mesmo é de novela”.
Eu gosto de novelas! Gosto de seriados, filmes, cultura, arte e definitivamente não gosto de Fórmula 1 e estou chegando a conclusão que futebol nunca foi a minha praia, exceto na copa e quando ganha! Em contra partida, existem mulheres que curtem futebol, fazem parte de torcidas organizadas, vestem literalmente a camiseta do time e circulam no futebol melhor do que muitos homens por ai. Gostam de Fórmula 1, apreciam o som dos carros (um dos motivos que me faz não gostar de F1), velocidades e periculosidade das pistas e se entregam por completo a adrenalina dos segundos no pit stop. Independente se o Felipe Massa é ou não um bom partido.
Masculino e feminino estão em alta nos grandes debates dos especialistas, na tentativa de sanar ou pelo menos diminuir as confusões que o gênero faz nas cabeças das pessoas. É óbvio que existem coisas que são de homens e coisas que são de mulheres, mas não estão relacionados aos seus gostos, hobbys e alguns objetos, mas na função que isso exerce.
Algo que continua sendo de homem?
Fazer a barba é uma delas. Por falar nisso, vou fazer a minha.

20.5.09

:: Criança Interior ::

Uma das coisas que me faz acreditar que todos nós temos uma criança interior, no qual sempre a salvaguardamos dos pecados mundanos, são os desenhos animados. Eles são a prova que tivemos infância e que validarão, futuramente, a qualidade dela. Quem nasceu nos anos 80, mas cresceu nos anos 90, assim como eu, tem uma lista de desenhos animados favoritos, por essa razão somos, ou consideramos ser, os maiores consumidores do flashback. Acreditamos que a nossa infância é melhor do que a infância dos dias de hoje, argumentando que além de brincar ao livre, usar a criatividade e imaginação, não perdemos boa parte dos desenhos animados, seriados e novelinhas da época. Pensamento típico de quem se considera atual, mas é um eterno careta.
Hoje com a tecnologia moderna, podemos assistir aos clássicos desenhos animados que assistíamos deitados nos sofá, geralmente se recuperando de uma longa noite de sono.
Desde Caverna do Dragão, com a Uni sempre impedindo o acesso ao mundo real até Carrossel com seus clássicos personagens: Maria Joaquina, Cirilo - Eu só quis dizer; Jaime Palilo, Professora Helena, Firmino entre outros. Assistíamos a um repertório de desenhos animados, americanos e japoneses com o mesmo objetivo que os desenhos de hoje: a luta entre o bem o mal. Inevitável, todos os desenhos utilizam dessa base referencial para fisgar as crianças e alguns (muitos) adultos.
Certa vez, assistindo um canal da televisão fechada, se não me engano a Nickelodeon, observei uma vinheta que atiçou muito a minha criança interior. A proposta dela era reprisar, depois das onze da noite, os clássicos desenhos da nossa infância, a campanha seguia com a seguinte frase “Coloque a criança que existe dentro de você para dormir!”. Achei de uma sensibilidade sensacional, pois atinge completamente a um público de seus vinte e trinta e poucos anos que não precisam mais estar na cama às dez horas da noite, mas necessitam estar nela às onze. A sensação de nostalgia que carregamos e fizemos questão de carregá-la para onde for; nos enlaça e reporta para os saudosos anos 80’ e 90’. No tempo onde a maior preocupação era criar uma boa desculpa para justificar o cinco naquela prova de matemática (o meu problema sempre foi matemático). Dois mais dois não necessariamente eram quatro na minha matemática. Está ai uma boa justificativa da escolha profissional. Na Psicanálise tudo é possível, exceto duvidar do Complexo de Édipo.
Sou tarado por desenhos animados e fico feliz em conhecer boa parte deles. Lembro que o meu avô dizia que eu tinha algum problema mental, pois não era possível um cara de quinze anos ficar vidrado com as aventuras de uma família de Springfield. Era lei, 20h e 30 min eu estaria ligado na Fox e torcia para que os produtores fossem camaradas o suficiente para colocar dois episódio por dia. Homer Jay Simpson, Marge, Barth, Lisa, Meg, Ajudante de Papai Noel e Bola de Neve II, conquistaram os corações de todos. No meu eles permanecem firmes e fortes e não há Peter Griffin (Family Guy), mesmo o adorando, que desbanque o Homer. O mesmo digo para o novo desenho que passa na rede Globo, logo após o Altas Horas. American Dad! Um desenho sensacional que satiriza de forma absurda o cotidiano de um patriota americano e sua família excentrica.
A base dos três desenhos. Um pai politicamente incorreto, uma mulher devotada e ciente do buraco que se meteu, filhos completamente fora da espectativa paterna e personagens irreais (um cão que filosofa, mas não perde os seus instintos caninos. Um ET bissexual, um peixe alemão que fala).
Desenhos feitos para nós, ex crianças, que sabem amar uma esponja de calça quadrada e um homem amarelo com dois fios de cabelo.

18.5.09

:: A vida é simples... ::

Já escrevi aqui no blog a minha opinião sobre a frase "A vida é simples, são as pessoas que complicam". Sempre que possível, sou contra a esses tipos de frases feitas e prontas, pois parto do argumento que elas matam o poder da argumentação.
Revendo um dos episódios do seriado Os Normais - As outras vidas de Rui - encontrei uma conversa entre Vani, Maristela e Susara (a psicóloga que vende anfetamina na academia) onde o assunto é justamente esse:
S: ...então gente, o meu contato com os índios Borocochós. Ele me fez aprender uma coisa: A vida é muito simples, as maneiras de como as pessoas vivem suas vidas é que é complicada.
M: ... mas a maneira de como as pessoas vivem, não é a própria vida?
S: Não! A vida é um caminho. As pessoas vão por esse caminho que é simples, mas sempre complicando, entende?
V: Hummm! Então, por exemplo, você acha que se não existissem as pessoas a vida seria mais simples, é isso?
S: Seria! Claro que seria. São as pessoas que causam toda a confusão do planeta.
M: ...mas, por exemplo, se as pessoas não existissem como seria a vida? Se nós somos as pessoas? Da vida de quem estamos falando?
V: Não Maristela. O que ela está falando é da vida como um todo. Da energia vital, certo?
S: Não! Da vida espiritual. Essa sim trás toda a essência do viver.
M: Então o certo é deixar de viver como pessoa e passar a viver como espírito?
V: É exatamente isso!
S: Não fofa, não é isso...
V: ...não?
S: Até porque não existe o certo e o errado. O que existe é o existir.
M e V: Hummmmmmmmmmmmmmm!

14.5.09

:: Não basta amar ::

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e que justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?
Depois que acaba esta paixão retumbante sobra o quê? O amor. Mas não o amor mitificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos: o sentimento que temos por mãe, pai, irmãos, filhos e amigos. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor. Assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna. Casaram, te amo para lá, te amo para cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que decidem dividir o mesmo teto tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor só não basta.
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber relevar.Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, independência, um tempo para cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem: às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, solamente, não basta.
Entre homens e mulheres que acham que amor é só poesia tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar este amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
(Martha Medeiros)

5.5.09

:: Porcos Expiatórios ::


1.5.09

:: Histeria Coletiva?! ::

Não! Porque seria?

27.4.09

:: Digite uma mensagem pessoal ::

Eu não sei nem por onde começar, mas percebo que tem muita gente pedindo atenção por ai. Toda a vez que entro no MSN e dou uma olhada em quem está online me deparo com um show de horrores sentimentais e/ou lições de vida.
O grande culpado disso tudo, tirando o amor, é o espaço reservado para deixar uma mensagem pessoal. Nada contra quem utiliza, pois também a uso (divulgo meu blog), mas agora, fazer charminho, pedir dengo, mostrar que está com raiva do mundo ou de alguém é muita falta de noção.
Sabemos que esse espaço da mensagem pessoal é destinado a isso. Suponhamos que a pessoa na qual endereçamos essa mensagem irá ler, esperamos que ela leia. É para ela ler! Porém, o que me parece é que tem muita gente não sabendo o que está escrevendo.
De Vitor e Léo a mensagens de auto-ajuda o msn está se tornado um sabe-seláoque, mas está ficando feio, está ficando, um tanto quanto, bizarro.
Eu me preocupo com esse tipo de situação, pois essas frases, por mais simples e compactas que sejam, dizem muito sobre quem escreve. Começando pela visível carência. O que torna a política da boa vizinhança algo extremamente difícil.
Carentes todos nós somos, é uma condição de ser humano. Carecemos de algo, necessitamos de atenções especiais. A carência é uma saudade desgostosa, é a impressão de se sentir abandonado por alguém que não necessariamente te abandonou, mas deu a entender que sim.
Evocamos e somos evocados o tempo todo a dar e receber atenção de algo ou alguém. Uma prova simples de se perceber é como ficamos irritados com o mau atendimento de algum lugar.
Em outras palavras, o excesso de somebody save me que aparece nas mensagens pessoais do MSN, é a pista de que o ser humano, ou pelo menos os meus contatos, estão órfãos de referenciais simbólicos, ou em palavras (bem) menos psicanalíticas, estão sem noção mesmo.
Esse pequeno espaço reservado para colocar frases, pensamentos, letras de música, humor entre outras coisas cabíveis, demonstra uma superficialidade contemporânea nas relações. Um simples retângulo com espaço livre para escrever é sustentação e amparo de muita gente.
Por isso que existem os blogs!