12.4.08

::Desconheço o autor::


Seria uma brutalidade esquecer tudo o que foi dito tudo o que foi pensando e tudo o que foi sonhado.
Seria honroso se tivéssemos o poder de agüentar tudo de peito aberto.
Conseguir esquecer toda a situação passada seria um tanto quanto amortecedor, porém não vivido.
O aprendizado de calar-se na hora certa e argumentar nos momentos mais certos é um sinal de amadurecimento.
Seria desumano esquecer os nossos olhares, os nossos toques e até mesmo esquecer que algum dia os batimentos cardíacos estavam no mesmo movimento e a respiração na mesma sintonia.
O que nos diferenciava era à noite e o dia.
Seria perfeito esquecer a sua cara de choro e seria perfeito lembrar do teu sorriso.
Hoje ao olhar as fotos, percebo que a paixão se foi sem mesmo tocar o amor e sem se despedir da amizade.
Tão forte como o fogo, porém tão doloroso quando a queimadura. Despeço-me de uma loucura que um dia lutei para entrar e hoje acredito não ter entrado.
Certo das minhas atitudes e incerto pelas minhas interpretações, olho para trás e percebo que há um vão de acontecimentos não acontecidos, de festas não festejadas, de sonos não dormidos, de caminhos não caminhados, de planos não concretizados.
Não paro mais, apenas ando para tentar ficar o mais distante porem sempre tão próximo.
O que antes nos afastava hoje nos distancia, o que nos aproximava nos afasta, o que nos distanciava nos deixa mais próximos ao ponto de sentir o mesmo frio na barriga, o mesmo arrepio, os mesmos pensamentos reais, os mesmos devaneios abstratos, os mesmos amores e os mesmos desamores.
O que nos liga hoje é apenas os olhares acelerados, os movimentos imprecisos e as dúvidas que nos alimentam e nos envenena cada dia mais e mais.
Apenas peço paciência, pois um dia tudo voltará ao normal e nada disso será realidade, será apenas mais uma história a ser contada. Com duas versões distintas, porem únicas.